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sábado, 18 de setembro de 2010

A CRIANÇA E O FARMACÊUTICO


Dono de uma bem sucedida farmácia numa cidade do interior, João não acreditava na existência de Deus ou de qualquer outra coisa, além do mundo material.
Certo dia, quando ele já estava fechando a farmácia, chegou uma criança com um bilhete nas mãos, solicitando um remédio. Ele disse que já estava fechado, mas a criança, com lágrimas nos olhos, informou-o que que sua mãe estava muito mal e precisava com urgência daquela medicação.
Devido à insistência da menina, mesmo contrariado resolveu reabrir a farmácia e vender o remédio, mas, devido à sua insensibilidade e àquele nervosismo sem causa, não acendeu a luz e pegou um remédio errado, cujo efeito era exatamente o contrário do que aquela mulher precisava e, certamente, iria matá-la.
Em pânico, tentou alcançar a criança, sem êxito.
Voltou para a farmácia e, sem saber o que fazer, com a consciência pesada e com medo, muito medo - de ser processado ou até mesmo preso, de perder tudo o que levou a vida inteira para construir - instintivamente fez algo que nunca havia feito: ajoelhou-se e orou. Mesmo sendo um ateu, seu espírito o levou a buscar o Criador e clamar por ajuda.
De repente, sentiu uma mão a tocar-lhe o ombro esquerdo e ao se virar,  deparou-se com a criança: "Senhor, por favor, não brigue comigo, mas é que eu caí e quebrei o vidro do remédio. Dá pro senhor me dar outro?".
"Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas, sem pecado. Cheguemos confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim e sermos socorridos no momento oportuno" - Hebreus 4.14-16.
Autor Desconhecido
Colaborar: Gracielle Cessetti

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

JUSTIÇA FEITA!!





A procuradora aposentada Vera Lúcia Sant’Anna Gomes foi condenada nesta quinta-feira (8) a oito anos e dois meses de prisão. A decisão é do juiz Mário Mazza, da 32ª Vara Criminal. Segundo o Tribunal de Justiça, essa é uma decisão de primeira instância e a procuradora ainda pode recorrer. Ela é acusada de torturar uma menina de dois anos que estava sob sua guarda provisória à espera de adoção.
O caso foi denunciado em abril pelos empregados da procuradora. Segundo eles, ela agrediu fisicamente e com xingamentos a menor. A criança foi encontrada pelo Conselho Tutelar no apartamento da procuradora com sinais de maus tratos. Vera Lúcia está presa há quase dois meses.
Em parecer encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça, a subprocuradora-geral da República, Lindôra Maria Araújo, defendeu a manutenção da prisão da procuradora de Justiça aposentada.
No documento divulgado na quarta-feira (7), o Ministério Público Federal (MPF) opinou contra a concessão de habeas corpus pedido pela defesa de Vera Lúcia e que foi negado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e pelo ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do Superior Tribunal de Justiça, em decisão liminar, no dia 8 de junho.
O advogado da procuradora aposentada, Jair Leite Pereira, informou ao G1 que já esperava a manifestação contrária do MPF sobre o pedido de habeas corpus. Ele lembrou que, com o recesso do Judiciário, o parecer será examinado e o julgamento do pedido será marcado apenas em agosto. Ainda segundo ele, Vera Lúcia está estressada na prisão e que já teria emagrecido seis quilos.
“Vamos aguardar a marcação do julgamento no STJ. Caso seja negado, vamos recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Ela [Vera Lúcia] já esperava, ela foi do MPF e sabe como funciona. Seria surpresa se fosse o contrário. Ela está estressada, diariamente esperando uma solução. Se alimenta mal, já emagreceu seis quilos, mas está convivendo com a situação”, relatou o advogado.
A procuradora aposentada está presa desde o dia 13 de maio, em uma cela especial na unidade feminina do presídio Nelson Hungria, o Bangu 7. O parecer do MPF será analisado pelo STJ no julgamento do mérito do pedido de soltura da acusada.
No pedido de soltura, a defesa de Vera Lúcia alega que ela teria direito de ser julgada pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça, porque teria a prerrogativa do cargo que ocupava no Ministério Público. Além disso, argumenta que é primária, possui bons antecedentes e que a ação não deveria ser julgada pelo 1º Juizado Especial da Violência Doméstica e Familiar da Mulher, mas sim pela Justiça Criminal de 1ª Instância.
MPF
Em seu parecer, a subprocuradora-geral da República rebate os argumentos e afirma que a prerrogativa de função só vale enquanto a pessoa estiver no exercício do cargo, o que não é o caso, já que Vera Lúcia está aposentada.
Segundo Lindôra, “há indícios suficientes de autoria e prova de existência do crime”. “Em virtude da gravidade do delito e da periculosidade e ousadia do agente, pode ser decretada a segregação cautelar para garantia da ordem pública. Eventual liberdade da acusada pode levar ao comprometimento da instrução criminal na colheita dos depoimentos das testemunhas que, em sua maioria, são ex-empregados da denunciada, e, portanto, pessoas humildes e suscetíveis a intimidações”, opina a subprocuradora-geral.
No parecer, são citados trechos de depoimento de ex-empregados da procuradora aposentada. Em um deles, um ex-funcionário afirma que Vera Lúcia faria parte de uma religião satânica e que este seria o motivo da adoção da criança.
“A testemunha certificou que a denunciada possuía ‘muitos vudus e bonecos com rostos desfigurados’ e acreditava que a menor foi escolhida para ser oferecida em sacrifício a esta seita”, cita a subprocuradora-geral no documento.
Em outros depoimentos, testemunhas teriam afirmado, segundo os autos, que Vera Lúcia mantinha a menina trancada no quarto durante a maior parte do tempo e que agredia a criança fisicamente “com tapas bem fortes no rosto e na boca, puxões de cabelo, empurrões fortes” e psicologicamente, com “xingamentos e expressões desumanas”.
O fato de a procuradora aposentada não ter se apresentado espontaneamente quando foi decretada sua prisão preventiva também foi considerado no parecer. “Diante da intensa divulgação dos fatos delituosos pela imprensa e da revolta social causada pelo crime, a paciente resolveu se apresentar à autoridade policial em 13 de maio de 2010, ao constatar que não teria êxito em continuar foragida”, destacou a representante do MPF.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

MOMENTO DE REFLEXÃO!

Muitos são aqueles que duvidam da credibilidade divina da bíblia. Entretanto, ainda existem milhares de pessoas que crêem na bíblia como livro de sabedoria, exortação e regra de vida. E por fim, há aqueles, como eu, que crêem em ser a bíblia, a palavra genuína de Deus. Estava eu lendo meus emails hoje a tarde e recebi de um grande amigo um texto bíblico maravilhoso, é o texto de Salmos 37:5, que diz o seguinte: "Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nEle, e o mais Ele fará". Um texto que transmite bastante confiança para aqueles que acreditam e crêem em Deus. Daí fui ler o capítulo 37 de Salmos, e vi que o autor desse maravilhoso texto foi o Rei Davi. Procurei a tradução da linguagem de hoje, e que clareza de conselhos, que será muito abençoador para aqueles que optarem em segui-los. Vejam o texto de Salmos 37 na tradução linguagem de hoje:


SALMOS 37
1. De Davi. Não se aborreça por causa dos maus, nem tenha inveja dos que praticam o mal.
2. Pois eles vão desaparecer logo como a erva, que seca; eles morrerão como as plantas, que murcham.
3. Confie em Deus, o SENHOR, e faça o bem e assim more com toda a segurança na Terra Prometida.
4. Que a sua felicidade esteja no SENHOR! Ele lhe dará o que o seu coração deseja.
5. Ponha a sua vida nas mãos do SENHOR, confie nele, e ele o ajudará.
6. Ele fará com que a sua honestidade seja como a luz e com que a justiça da sua causa brilhe como o sol do meio-dia.
7. Não se irrite por causa dos que vencem na vida, nem tenha inveja dos que conseguem realizar os seus planos de maldade. Tenha paciência, pois o SENHOR Deus cuidará disso.
8. Não fique com raiva, não fique furioso. Não se aborreça, pois isso será pior para você.
9. Aqueles que confiam em Deus, o SENHOR, viverão em segurança na Terra Prometida, porém os maus serão destruídos.
10. Dentro de pouco tempo, os maus desaparecerão; você poderá procurá-los, porém não os encontrará.
11. Mas os humildes viverão em segurança na Terra Prometida e terão alegria, prosperidade e paz.
12. Os maus fazem planos contra os bons e olham com ódio para eles.
13. O Senhor ri dos maus porque sabe que o dia deles está chegando.
14. Os maus puxam da espada e curvam os seus arcos para matar os pobres e os necessitados e para assassinarem os que são honestos.
15. Mas os maus serão mortos pelas suas próprias espadas, e os seus arcos serão quebrados.
16. É melhor o pouco que os bons têm do que as riquezas de muitos maus.
17. Pois o poder dos maus acabará, mas o SENHOR protege os bons.
18. Todos os dias o SENHOR cuida dos que são corretos; a Terra Prometida será deles para sempre.
19. Quando os tempos forem difíceis, eles não sofrerão e terão o que comer em tempos de fome.
20. Porém os maus morrerão; os inimigos de Deus, o SENHOR, desaparecerão como as flores do campo, sumirão como a fumaça.
21. Os maus pedem emprestado e não pagam, mas os bons são generosos em dar.
22. Aqueles que são abençoados por Deus viverão em segurança na Terra Prometida, mas os que ele amaldiçoa serão destruídos.
23.O SENHOR nos guia no caminho em que devemos andar e protege aqueles cuja vida é agradável a ele.
24. Se eles caírem, não ficarão caídos porque o SENHOR os ajudará a se levantarem.
25. Fui moço e agora sou velho, mas nunca vi um homem bom abandonado por Deus e nunca vi os seus filhos mendigando comida.
26. Ele sempre é generoso em dar e emprestar, e os seus filhos são uma bênção.
27. Afaste-se do mal e faça o bem, e você sempre morará na Terra Prometida.
28. Pois o SENHOR ama aquilo que é direito e certo e não abandona os seus servos fiéis. Ele sempre protege o seu povo, mas os descendentes dos maus serão destruídos.
29. Os bons possuirão a Terra Prometida e sempre morarão nela.
30. Eles dizem coisas sábias e sempre falam o que é direito e certo.
31. Guardam no coração a lei do seu Deus e nunca se afastam dela.
32. Os maus espiam os bons e procuram matá-los.
33. Porém o SENHOR Deus não abandonará os bons nas mãos do inimigo; e, quando forem julgados, não deixará que sejam condenados.
34. Ponham a sua esperança no SENHOR e obedeçam aos seus mandamentos. Ele lhes dará a honra de possuírem a Terra Prometida, e vocês verão os maus serem destruídos.
35. Vi um homem mau, um dominador cruel, que era grandioso como um cedro dos montes Líbanos.
36. Porém um dia passei por ali, e ele já havia desaparecido; eu o procurei, porém não pude encontrá-lo.
37. Preste atenção nos bons, e observe os honestos, e você verá que as pessoas que amam a paz deixam descendentes.
38. Mas os que desobedecem às leis de Deus serão completamente destruídos, e os seus descendentes desaparecerão.
39. O SENHOR Deus salva do perigo os que são bons e os protege em tempos de aflição.
40.O SENHOR os ajuda e livra; e, porque eles procuram a sua proteção, ele os salva dos maus.
EXCELENTE TEXTO. LOUVADO SEJA DEUS PELA MAGNÍFICA PALAVRA DELE!

sábado, 26 de junho de 2010

Por onde andas a Denise Frossard?



Nas eleições de 2006, fiquei muito feliz pela candidatura da então Deputada Federal Denise Frossard ao Governo do Rio de Janeiro. Para quem não se lembra, ela foi Juíza de Direito do Estado do Rio de Janeiro, foi jurada de morte várias vezes depois que mandou prender diversos contraventores do jogo do bicho no Estado. Além do mais, quando Deputada Federal, atuou com louvor na câmara dos deputados, em especial, quando atuou na CPI dos Correios. Pois bem pessoal, estava eu navegando na net e encontrei uma entrevista dela, para o site da Revista TPM http://revistatpm.uol.com.br/47/vermelhas/01.htm. Muito interessante saber um pouco mais de uma figura ilustre e que atuou ao longo do seu mandato como deputada federal e como Juíza. Agora a pergunta, por onde andas Denise Frossard?

Segue a entrevista dela conforme o link acima.

Você vem de uma família de classe média tradicional?
Denise. Totalmente. Almoço e jantar na mesa. Meu pai era italiano, e minha mãe, suíça. A parte suíça da família era enorme. Minha mãe tinha 15 irmãos. Todos no Brasil. E a família dela, apesar de suíça, era muito divertida. Porque os suíços, ao contrário dos italianos, são uns chatos. Ainda mais suíço-alemão, sem senso de humor. Mas eles não. Eles eram muito bonitos, tipo o [senador Eduardo] Suplicy [risos]. O meu avô plantava café, então nessas idas e vindas do café ele faliu umas cinco vezes. Quando nasci ele estava falido, olha que azar.

Isso em Minas?
Em Carangola, uma cidadezinha mineira.

Estudou em escola pública?
Minha mãe fez questão de colocar meu irmão e eu em escola pública, em uma classe de negros. 

Como assim classe de negros?
Havia apartheid em Minas, na minha cidade. Vocês pensam que eu não vivi isso, mas eu vivi. 
O pessoal devia achar sua mãe uma louca.
É. [Faz uma longa pausa, fica emocionada, chora] Minha mãe se matou. Quando ela tinha trinta e poucos anos.

Você tinha quantos anos?
12 [Denise chora, tira os óculos, passa as mãos no rosto, levanta, pega o guardanapo da mesa ao lado e começa a enxugar as lágrimas].

Você é o que é por causa disso?
Você tirou as palavras da minha boca. O que não te derruba te deixa mais forte. Mas a figura de meu pai também foi muito importante na minha vida. Ele nasceu na terra de Pavarotti. Era motociclista, alegre, cheio de vida. Vivia repetindo, enquanto tomava um vinho: “A bebida só é ruim quando é pouca”. Uma figuraça. Era comerciante e um cara que gostava de tudo o que era perigoso, um companheirão.

Você é destemida desde criança, tipo encrenqueira?
Meu irmão, que é quatro anos mais velho, evitava sair comigo à noite, para ir ao cinema ou coisas assim, porque ele dizia que eu só arrumava confusão na rua. Mas não era isso, é que eu não gostava das coisas erradas e de injustiça. Então, se via uma coisa dessas, me manifestava. E nunca levava desaforo para casa. Vez ou outra sobrava para ele.


Com quantos anos você saiu de Carangola?
Com 18. Fui fazer faculdade de direito no Rio de Janeiro. Mas primeiro fiz dois anos de filosofia em Belo Horizonte. Lembro de conversar com minha mãe sobre isso quando era menor, e ela dizer que para fazer filosofia eu teria que saber falar alemão. Isso ficou na minha cabeça e eu quis fazer quase como homenagem a ela. E o meu pai dizia: “Meu Deus do céu, que profissão é essa?”. Meu pai era um pragmático, não teve uma formação acadêmica, não teve estudo.

E a vontade de ser juíza veio na faculdade?
Sabia que seria antes de entrar na faculdade de direito. Sempre fui de planejar.

E por quê? Idealismo?
Talvez. Eu sempre tive muito bom senso e sabia que esse bom senso poderia ser usado para resolver conflitos. O que é um juiz? É um servidor público que resolve os conflitos quando as pessoas não conseguem mais resolvê-los.

O que você aprendeu sobre o ser humano lidando com bandidos?

Eu tinha acesso a um mundo curioso porque é onde a sociedade vomita e não quer ver. Os presídios, o mundo da criminalidade. Comecei a ver o que é o presídio, o desfilar na minha frente sempre de pretos, pobres de sandálias de dedo. Até o ponto em que era inverno e eles chegavam de bermudas, a única roupa que tinham. Se um estrangeiro olha o presídio acha que no Brasil todos os pretos e pobres são criminosos que atacam a classe de brancos e ricos, todos inocentes. Porque o que você vê na cadeia é isso. Aí você vê o que é a distorção no nosso sistema. Você vê a faixa etária de 18 a 24 anos, 90% homens, pretos, pardos etc. Acesso à Justiça, eles não têm.

É um mundo paralelo?
Quando damos de cara com essa situação muda um pouco a perspectiva que se tem do mundo. Outro dia eu voltei ao presídio como deputada. Foi engraçado, encontrei vários “meus” lá. Meus réus. “Ó, doutora, o que tá fazendo aqui?” Eu disse: “Meu Deus do céu, o que você ainda está fazendo aí, Zé Valdo?”. “Eu tenho 21 homicídios só, lembra?” “Lembro, mas achei que você já tivesse saído.” Foi esse o diálogo.

Tem diferença entre o Zé Valdo e os Zé Dirceus, Genoínos?
Essa gente, Genoíno, Delúbio, Dirceu, é uma gente asquerosa.

O Zé Valdo é melhor ser humano?

Os meus réus? Sem dúvida alguma. Zé Valdo, por exemplo, é um sujeito de senso moral tão elevado que ele mata. Faz justiça pelas próprias mãos. É perigosíssimo. Eu dizia para ele: “Zé Valdo, você não pode sair, meu filho. Você não entende o mundo. Você sai e mata, faz justiça pelas próprias mãos”. Ele respondia: “Quando a senhora me explica, eu entendo. Mas saio e mato de novo”. E é assim.




Como você teve coragem de condenar os bicheiros? [Em 1993, a então juíza Denise Frossard fez fama internacional ao condenar à prisão a cúpula do jogo do bicho carioca.]
O processo foi para as minhas mãos em 91. Chamei o promotor e disse: “Meu filho, o que é isso aqui? Vocês querem que eu dê uma sentença dissolutória nisso aqui? Querem que eu dê um atestado para essa gente? Gente que até cães, gatos e dromedários sabem que são criminosos, que mataram, roubaram?”. Aí o promotor disse: “Para mim não dá mais”. E saiu do processo. Por quê? Porque os bicheiros tinham sido recebidos no palácio pelo então governador Moreira Franco com honrarias. Palácio que nenhum de nós jamais tinha entrado. Então, num dia, você está ali, lutando, trabalhando em três varas, condenando pés-de-chinelo e de repente você olha aqueles caras que mataram, roubaram e botaram o processo para ser queimado em bandeja de prata. Então eu disse ao promotor: “Meu filho, isso aqui é uma afronta! O processo está bom, mas o Ministério Público tem que reunir provas. Vá à luta!”.

Você foi ameaçada de morte?
Essa gente não ameaça, essa gente jura de morte e mata. Sofri três atentados.

Como foram esses atentados?
O primeiro foi no dia da sentença. Fiquei uma semana recolhida num lugar que só o desembargador sabia. No dia da leitura da sentença o desembargador mandou o carro da segurança me pegar. Curiosamente, depois descobri que o chefe da segurança estava envolvido. Um coronel, um oficial superior. Mas eu já desconfiava.

E aí?
Então eu disse: “Coronel, eu vou dirigindo o meu carro”. E aí ele: “O carro da senhora vai na frente e o dos seguranças vai atrás”. E eu: “Pera lá, como é que é isso? Coronel, sempre soube que o carro da frente era o carro do sacrifício. Qual é mesmo o carro que vai à frente?”, e ele disse: “O meu”. E eu falei: “Não esperava outro”. Aí eu já sabia que ele estava envolvido. Fomos, mas, quando cheguei lá, não fui para a garagem coberta dos magistrados. Os carros da segurança iriam para lá. Eu pensei: “Para lá é que eu não vou”. Enquanto os carros se dirigiram para outra porta, cortei, entrei à esquerda, em um outro estacionamento, que não tinha ninguém.

E o que havia na outra garagem?
Lá estavam todos os policiais, um deles com um explosivo aqui [mostra a cintura] e uma granada na mão. Esse ia me abraçar. Como não fui para lá, ele foi preso. Isso foi denunciado e mataram o sujeito. Ele era um policial que trabalhava para os bicheiros.

Mas ele ia morrer junto?
Era um atentado suicida. Um homem-bomba.

Você mora em Brasília ou no Rio de Janeiro?
Moro no Rio de Janeiro, na Lagoa.

Sozinha?
Moro. Sempre morei.

Já casou?
Casar, casar, não. Tive a vida normal afetiva, agora, casar, não. A minha família não é muito chegada a casamento.

Como é sua rotina no Rio?

Tênis, em primeiro lugar o tênis. Levanto, jogo, e aí vou tomar café-da-manhã e ler os jornais lá no Leblon. Vou de roupa de tênis mesmo. Compro os jornais na Letras e Expressões e vou pro Garcia e Rodrigues, sento e peço mamão e queijo. Depois, com roupa de tênis e a raquete pendurada, vou no hortifrúti e faço compras. Em casa, ligo pros amigos pra saber onde vamos almoçar, na casa de quem, ou se vamos sair.

E religião?
Sou católica.

Você já teve vontade de ter filhos?
Tive, lá atrás, mas resolvi adiar um pouco. Só que chega um ponto que não dá mais. Mas o fato é que eu acabei criando três.

Três?
Não, não. Quatro. O primeiro foi o filho de um amigo que morreu. Antes de morrer ele me disse: “Se eu morrer, você cuida?”. Hoje o rapaz é oficial do Exército. Eu cuidei quando ele estava começando no colégio militar. Quer dizer, ele já era grandinho.

E os outros?
Os três filhos do meu irmão, que sempre foram muito ligados a mim.

Quais são seus planos políticos?
Eu serei a próxima governadora do Estado do Rio de Janeiro.


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Eu gostaria muito que ela fosse eleita, mas não deu. Depois disso parece que ela deixou a política de lado.